Voltaram sintomas antigos no tratamento. É mau sinal?

Relativo ao retorno dos sintomas, e o sentido da cura.

Durante o tratamento homeopático, especialmente em casos crónicos, é normal o reaparecimento de sintomas que já anteriormente a pessoa tinha tido. Especialmente sintomas que tinham desaparecido já há muitos anos.

Um rapaz com ataques de pânico

Recentemente consultou-me um rapaz devido a ter ataques de pânico. Impediam-no de fazer seja o que fosse no dia a dia: ficava todo a transpirar, com dormência nos membros, e um estado de agitação insuportável.

Depois de receber o tratamento homeopático adequado, voltou passados dois meses a dizer que tinha ficado muito melhor dos ataques de pânico; já não apareciam, ficava só um bocado agitado. No entanto, tinha ficado bastante irritável, e a reagir ‘à bruta’ – nas palavras da mulher.

Conforme fui perguntando, confirmou que antes de começar com os ataques de pânico, tinha tido um período de irritabilidade muito semelhante ao que agora se vinha a manifestar, e na sequência do padecimento, no passado, tinham aparecido os ataques de pânico.

Com a continuação do mesmo tratamento homeopático que lhe administrei, a irritabilidade foi passando e o rapaz recuperou o seu estado de saúde normal.

Porque é que os sintomas antigos voltam

A lógica disto corresponde ao facto de que, no processo da cura, mas quero dizer cura mesmo (ver: Aliviar a dor é o mesmo que curar?), o organismo entra num processo de reorganização dos aparelhos e sistemas, e naturalmente começa a desandar o caminho que o levou até o momento actual da consulta.

Duma maneira muito gráfica, se uma pessoa começou anos atrás com uma gastrite que ‘curou’ com comprimidos e calmantes, e depois desenvolveu cólon irritável que tem ‘controlado’ com comprimidos, e recentemente tem insónia e depressão, é normal que no processo de curar a depressão agora, possam voltar e reaparecer primeiro, a colite, e depois desta ter passado, reaparecer a gastrite.

Podemos entender isto no gráfico seguinte:

Esquema: gastrite, depois cólon irritável, depois insónia e depressão

No tratamento homeopático a sequência seria a seguinte:

Esquema: no tratamento a sequência desanda, da depressão de volta à gastrite

A doença desfaz-se pela ordem inversa

É importante ver que a doença crónica, qualquer que seja, se desenvolve em sequência nos diferentes aparelhos e sistemas do organismo.

Depois, quando cura, começa a desandar o processo no ordem inverso.

Isto é um processo natural quando na realidade existe cura.

Recebe o nome de Retorno dos sintomas, ou Lei de Hering na Homeopatia.

Se está em tratamento e apareceram sintomas que já não tinha há anos, fale comigo antes de mudar seja o que for. Marque uma consulta.

Aliviar a dor é o mesmo que curar?

Aliviar não é curar

Aliviar os sintomas não significa necessariamente curar.

Por exemplo, quando conseguimos libertar-nos das dores do reumatismo articular com comprimidos anti-inflamatórios, sentimos alívio. Mas isso, evidentemente, não é curar o reumatismo articular. No momento em que deixamos de tomar os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, as dores regressam com força.

O facto de ter de tomar medicamentos de forma crónica, sem os poder suspender sem que o sofrimento volte, indica que o tratamento alivia mas não cura. O tratamento é apenas sintomático.

O reumatismo articular, seja qual for a forma ou a origem, precisa ser tratado de maneira que se possam eliminar as manifestações a curto – meio prazo.

Quando conseguimos eliminar as dores dos problemas articulares e as manifestações relacionadas, tais como: a inflamação, a limitação de movimento, e os valores alterados na química sanguínea; e ao mesmo tempo conseguimos eliminar o tratamento convencional sem que os sintomas reapareçam, então podemos pensar que existe cura.

Isto só é possível quando o tratamento ajuda ao organismo a recuperar o equilíbrio das funções que o fizeram adoecer (ver: Como é que o medicamento homeopático cura?).

O mesmo acontece nas outras doenças crónicas

Taça de cerâmica partida a ser reparada
Fotografia de Martin Baron · Unsplash

O mesmo acontece com todo tipo de doenças crónicas.

Problemas de enxaqueca, asma, problemas dermatológicos, digestivos, infecções recorrentes, estados crónicos de ansiedade ou depressão, só podem ser curados se são tratados na sua causa dinâmica (ver: Porque é que adoecemos?)

Quanto tempo leva

Voltando ao assunto dos problemas articulares, é minha experiência de muitos anos a tratar muitos pacientes com estos problemas, seja de origem reumático, auto-imune, ou mecânico, e verifico que a maioria dos pacientes têm uma evolução muito positiva, até mesmo a cura.

O processo pode ser rápido ou lento conforme o tempo de evolução e a gravidade da doença; quando o processo inflamatório é recente (de semanas até um ano mais ou menos), a cura se consegue muito rapidamente: desde poucos dias até poucas semanas.

Quando a cronicidade do processo inflamatório é muito maior (de 3 a mais de 20 anos) a cura pode levar em média um mês por cada ano de doença.

Mais isto não quer dizer que levará 20 meses para sentir melhoras! Quer dizer que precisa o apoio do medicamento homeopático (ver: O efeito do medicamento homeopático ) com regularidade decrescente até 20 meses. De facto mesmo nos casos crónicos, as melhoras obtidas são muito rápidas, podendo os pacientes reduzir e até eliminar os tratamentos anti – inflamatórios nas primeiras semanas.

A definição de cura

Curar é devolver ao organismo a capacidade de funcionar em equilíbrio como estava antes de adoecer.

Isto só se consegue se somos capazes de estimular a força vital do nosso organismo para ultrapassar a susceptibilidade que o fez adoecer. (Ver: Porque é que eu fico doente e os outros não?)

A cura então por definição, significa eliminar a susceptibilidade à doença.

Desta maneira os sintomas não têm razão para aparecer mais.

Há vários aspectos mais a considerar quando se fala de curar (Ver brevemente: Outros aspectos da cura)

Se toma medicação há anos para um problema que nunca passa, vale a pena olhar para a causa. Marque uma consulta.

Porque é que eu fico doente e os outros não?

Frases que dizemos sem pensar

Alguma vez parou para pensar no que significa dizer:

  • Mal apanho um pouco de frio, e fico com sinusite, ou
  • mal muda o tempo, aparecem as constipações, a gripe, ou os problemas reumáticos agravam.
  • Também observamos que muita gente diz, é só ficar nervoso, e começo com enxaquecas, ou com problemas nos intestinos.
  • Da mesma maneira outras pessoas atribuem ao stress, ou à pressão do trabalho, o mesmo às preocupações, o facto de ficarem com insónias ou até depressão.

O factor externo não explica tudo

Aparentemente, existe sempre um factor externo que nos faz ficar doentes.

Na realidade, todo o tipo de factores no ambiente que nos rodeia, os alimentos que ingerimos, os relacionamentos que temos com a nossa família, com os amigos e colegas de trabalho, constituem circunstâncias que exigem algum tipo de interacção; quando não conseguimos nos adaptar a estas circunstancias ou aos desafios psíquicos ou emocionais do nosso quotidiano, estes estímulos a nossa volta desencadeiam desequilíbrios no nosso organismo que podem manifestar-se como sintomas.

Esta falta de adaptação ou desadaptação ao fluxo natural do ambiente que nos rodeia é o que chamo de susceptibilidade.

Por tanto, a susceptibilidade, em termos médicos, é um condicionamento às funções naturais e normais do nosso organismo psíquico ou físico.

Constitui um padrão de resposta deficiente, ou errado, ou desadaptado que faz funcionar o nosso organismo de maneira errada.

O que é preciso curar

Daqui resulta que o que é importante curar, é fundamentalmente a susceptibilidade.

Esse condicionamento provoca que o organismo comece a manifestar sintomas nos diferentes níveis da vitalidade do nosso organismo: físico, mental, emocional.

Temos que modificar esse condicionamento que o nosso organismo padece. Temos que eliminar esse padrão de resposta deficiente que faz reagir o nosso organismo de maneira errada perante situações de vida que até podem ser normais.

É impressionante testemunhar uma pessoa que tendo sido intolerante a certos alimentos, agora diz que já pode comer fruta, ou pão, ou ovos, ou qualquer outro alimento específico, sem lhe provocar diarreias, alergias, ou problemas da pele. Isto acontece quando conseguimos modificar o condicionamento de base no organismo doente.

De igual maneira resulta muito satisfatório ouvir uma paciente dizer que consegue agora lidar com o stress da família, ou com o stress do trabalho, sem desenvolver enxaquecas ou ficar deprimida. O padrão de resposta desadaptado foi eliminado.

Os pacientes que seguem um tratamento que cura a susceptibilidade à doença, deixam de ficar constipados com qualquer exposição ao frio.

De onde vem a susceptibilidade

Folha seca vista em macro
Fotografia de Adam Bouse · Unsplash

Esta susceptibilidade à doença, ou condicionamento às funções naturais do nosso organismo, é herdada em parte e em parte adquirida. São os chamados padrões hereditários, os padrões genéticos que ficam activos. São programas que começam a funcionar em diferentes momentos do nosso desenvolvimento.

Estes programas, estes padrões, são activados pelos diferentes factores como já mencionei no início do artigo. (Ver: O que é que uma criança herda dos pais, além dos genes?)

Uma vez que o organismo começa a manifestar sintomas temos que ter a clareza de que o nosso organismo começou a manifestar uma luta para se adaptar.

Depende do nível de vitalidade que o organismo tenha, e depende do profundo da susceptibilidade à doença (programas genéticos latentes) o organismo poderá ou não sair sozinho da fase de ‘doença’ com medidas de repouso, dieta e outras medidas. Se não consegue, o organismo começa a manifestar sintomas crónicos que a medicina convencional costuma denominar com diagnósticos clínicos, como artrite reumatóide, asma, depressão, enxaqueca etc.

A doença não é o diagnóstico

A doença não são os diagnósticos, ou nomes que recebem os conjuntos de sintomas; a doença na realidade, é a susceptibilidade, é o padrão condicionante; é aquele que permite que perante um factor desencadeante, os sintomas apareçam.

O que deve ser tratado então é esta mesma susceptibilidade.

Para curar um organismo na realidade, temos que eliminar a causa da doença, o factor que permite que se manifestem os sintomas.

É difícil encontrar sintomas num organismo quando esta na sua plenitude de funções e sem obstrução nas suas manifestações vitais.

Temos então que devolver esta plenitude funcional do organismo e permitir as suas manifestações vitais se desenvolver sem obstruções, só assim é que podemos dizer que curamos.

Este é o papel da Homeopatia.

Quando a susceptibilidade desaparece, os sintomas deixam de ter motivo para voltar. Marque uma consulta em Lisboa, Cascais ou online.

Porque é que adoecemos?

Naturalmente ninguém quer ficar doente. Olhamos para as doenças como algo que antagoniza com o nosso organismo, com a nossa vida. As doenças são algo que consideramos como o inimigo que tem de ser erradicado, apagado, esquecido. E é natural que assim seja. O que chamamos doença são os sintomas que nos incomodam: dores, inflamações, alterações do apetite, do sono, da sexualidade, estados de ânimo negativos, alergias, limitações funcionais. Tudo isso traz sofrimento. E com o sofrimento é difícil lidar: preferimos lutar contra ele, ou fazer qualquer coisa para o apagar.

Se não pudéssemos adoecer, não sobrevivíamos

O que não vemos é que se não tivéssemos a capacidade de adoecer, não conseguíamos de facto sobreviver; se uma criança não sentisse o sofrimento da fome, não choraria; se não aprendesse que o calor pode queimar, não retirava a mão duma superfície quente imediatamente; se não sentíssemos dor cada vez que nos magoamos, a nossa integridade física estaria comprometida…

Os sintomas no geral são manifestações naturais e normais do nosso organismo que expressa uma tentativa de recuperar o equilíbrio fisiológico, psíquico, ou emocional que por algum motivo se encontra comprometido.

Visto desta maneira, a doença não é um inimigo, os sintomas são um sinal de alerta a nos chamar a atenção para algo tão importante dentro da nossa vida, como é o equilíbrio do nosso relacionamento com o nosso entorno, com tudo o que nos rodeia; desde o mais básico como é a nossa relação com o nosso corpo, com os alimentos, com a temperatura ou com o meio ambiente, até com os aspectos mais complexos e mais humanos como são o nosso relacionamento psíquico e emocional com nós próprios, com os nossos seres queridos, e com a sociedade onde nos desenvolvemos e onde desenvolvemos as nossas actividades mais significativas.

Manter o equilíbrio não é fácil

Mar sob tempestade
Fotografia de Trevor McKinnon · Unsplash

Não é fácil manter equilíbrio físico, mental e emocional na nossa vida. Temos que desenvolver consciência clara dos diferentes aspectos que integram o nosso desenvolvimento como seres humanos que progredimos para atingir maturidade física, mental e espiritual; mas como já vimos, o processo de desenvolver consciência clara das coisas pode doer, pode trazer sofrimento, e é ali que o nosso sistema natural de defesa, o dinamismo sábio integrado no nosso organismo, joga um papel inelutável: ou vai, ou racha.

Quando racha aparecem os sintomas. Quando o mecanismo de defesa do nosso organismo não consegue adaptar-se ao fluxo dos acontecimentos da nossa existência física ou psíquica, começa a trazer disfunções como podem ser por exemplo, uma dor de garganta quando ficamos muito no frio, ou uma dor de cabeça quando ficamos sob stress, ou poderá aparecer irritabilidade, ansiedade ou até depressão quando perdemos o equilíbrio no desenvolvimento do nosso ser mais interno.

Então, é o mecanismo natural de defesa do nosso organismo quem nos traz a possibilidade de encontrar o centro, o equilíbrio do nosso desenvolvimento integral físico, mental e emocional quando nos indica com uma variedade infinita de sintomas que algo está fora de função, que algo não esta bem no nosso organismo, e que é o nosso dever ouvir tal sabedoria natural, e ajudar em sincronia o esforço que o nosso organismo faz para tentar recuperar o equilíbrio.

Em resumo

Em resumo, adoecemos porque estamos vivos e precisamos manter-nos vivos. A doença é parte do processo natural de desenvolvimento do modelo biológico que somos. A doença não é o inimigo, de facto, a doença é o nosso melhor aliado no processo de crescer física, mental e espiritualmente. Se queremos actuar medicamente em sintonia com o sistema natural de defesa do organismo, temos que compreender o dinamismo que cria os sintomas, e actuar de maneira semelhante a esse esforço.

Quando o esforço médico que usamos para tentar curar, é semelhante ao esforço do mecanismo vital de defesa do organismo, estamos então a praticar Homeopatia.

Se os sintomas voltam sempre, é sinal de que há algo de fundo por tratar. Marque uma consulta.